segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Minha Doçura



Deus transformou a minha amargura em doçura...
Mt 18, 1-4

Coração de criança


Hoje vou tirar a minha criança do fundo das prateleiras...
Fui uma criança cativante... solta... voava... sonhava alto... me perdia nos castelos dos livros infantis... era a princesa dos contos de fada... gostava de música... sentia saudades...


Quando criança, me recordo muito bem de que brinquei demais de pique... boneca, casinha, de professora... do " cravo brigou com a rosa"... de passar anel... de cantigas de roda... com meus primos e irmãos...
Ah! Que saudade!
Em minha casa tinha quintal grande, dois lotes, pé de goiaba... jardim, coqueiros diversos... e outros...
O lugar era interiorano e sem problemas de violência de espécie alguma...
Tive minhas bonecas, adorava jogar, podia conversar com os primos de diversas idades... os tios perto sempre...
Cada vestidinho lindo eu usava... até hoje me sinto muito melhor de vestido ou saia... creio que é reflexo de criança... os laçarotes nos cabelos cacheados... muito bem penteados...
As minhas brincadeiras eram coletivas, grandes rodas e mil peripécias...

Brincávamos de adultos... de faz de conta... Mas permanecíamos crianças... muito legal!
Lia muitos livros de histórias dados pelo meu padrinho (tenho até hoje o de poesia e da Alice no País das Maravilhas) me envolvia tanto com os personagens que até hoje gosto muito de ler e escrever e de viver mil sonhos na realidade... nada me amargurou a vida terminantemente... aqueles livros infantis se tornaram para mim uma lição de vida... fantásticos!

Aprendi que brincar é coisa séria... não é simples diversão... ajudou a construir-me...
Gostava muito de comer mingau de todos os tipos mas o preferido era o de fubá de milho...

Quando chegavam as férias ia para o interior com a família... a roça sempre me fascinou... a vida calma... mais calma ainda do que onde morava... também um pouco zona rural... brincava com as plantinhas quando ia pra casa da minha avó Celina...
Também ficava triste... Reconheço que era pura demais... inocente como uma flor...

Até meus oito anos, quando a primeira comunhão aconteceu, era totalmente ingênua...

Ah! Tempo perdido... longínquo... de fantasia!
Tive muito medo de trovoadas, relâmpagos... raios...


Como gostava de sentir o cheirinho de terra molhada da chuva que caía no quintal! Ficava encantada com o céu... contava carneirinho, me extasiava vendo as Três Marias... a constelação Cruzeiro do Sul...
Adorava ir à praia com minha família... A praia de Ramos era limpíssima, acreditam?
Não era birrenta... mas ficava amuadinha que só!

Quando a mãe me batia por causa das travessuras dos meus irmãos... todos tinham que apanhar mesmo que eu não fizesse nada... ficava muito tristonha... no cantinho quieta... com muito medo...
Quando me vesti de noivinha para a primeira comunhão (aos 8 aninhos) foi o meu melhor momento da primeira infância... Me senti a menina mais feliz do mundo...

Aos nove, gritava quando percebia "roubo" nos jogos infantis em grupo na roça no ES quando lá ia, com sua família, de férias: "Mas que roubalheira!" exclamava indignada... quando cresci, aprendi que sinto atração pelos injustiçados... e me movo para eles... e por eles... por questão de temperamento.
Fui muito exigida no bom comportamento e nos estudos, mas é a vida!

Mas tive motivos de sobra para aprender a conviver com conflitos e dores... Ainda bem!

Estudei muito e nem por isso, na minha infância, deixei de ter tempo de ser criança e tive tempo para brincar...

Fui criança!

Será que ainda não o sou?

Apenas cresci... ainda bem que a minha criança não morreu em mim...


"Minha criança adivinhou, em seus sonhos, o adulto que eu queria ser.

E traz alegria e esperanças à minha idade atual.
Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser.
Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida."

(Artur da Távola)


Esse é uma parte do muito que vivi na infância...... depois cresci mais um pouquinho e aí a minha vida mudou...


"É MUITO TAGARELA E TEIMOSA, MAS NO FUNDO É UMA BOA PESSOA".
(Exupèry)

2 comentários:

  1. Olá, Rosélia!
    Eu, que trabalho com crianças, sei o quanto elas nos rejuvenescem, o quanto elas nos levam a pensar na importância das coisinhas bobas... O quanto erramos ao atropelar a vida!

    Excelente semana; beijão!

    ResponderExcluir
  2. Olá,obrigada pelo comentário carinhoso,seu blog tb é um amor.Adoro meu lado criança, cheiro de terra depois da chuva e outras coisas,que bom que abraçou o seu lado criança tb, beijos!

    http://cafezinhodasamigas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

"Deixe-me acreditar que o Pequeno Príncipe vez ou outra deixa seu asteroide e vem me visitar. "

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...